Dezembro Vermelho: as principais informações de Sífilis e Hepatites virais

O mês de dezembro está chegando ao fim. Ele é marcado como o mês de prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), pois no primeiro dia de dezembro é celebrado o Dia Internacional de Luta contra a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), transmitida pelo HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana).

O objetivo da campanha é sensibilizar a população sobre a prevenção e o tratamento precoce contra diversas ISTs, como a HIV e AIDS, Papiloma Vírus Humano (HPV), Sífilis, Herpes Digital e Hepatite B, C e D.

No #BlogHBit já falamos sobre o vírus HIV e a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e sobre o Papiloma Vírus Humano (HPV). E neste post, vamos falar sobre Sífilis e Hepatite B, C e D.

Sífilis

De acordo com o Ministério da Saúde, é uma IST curável que é causada pela bactéria Treponema pallidum. Pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios, como primário, secundário, latente e terciário.

As principais formas de transmissão são por meio de relação sexual sem camisinha com uma pessoa infectada ou a transmissão para a criança durante a gestação ou parto.

Assim, a principal forma de prevenção também é o uso correto e regular da camisinha feminina ou masculina, além de que o acompanhamento das gestantes e parcerias sexuais durante o pré-natal de qualidade contribuem para o controle da sífilis congênita.

Sinais e sintomas

Cada estágio da Sífilis apresenta seus sintomas. Para a Sífilis primária, o principal sinal é uma ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria, que, normalmente, é o pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca, ou outros locais da pele. A ferida aparece entre 10 e 90 dias após o contágio e é rica em bactérias, chamada de “cancro duro”. Geralmente, ela não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas, ou caroços na virilha. Essa ferida desaparece sozinha, independentemente de tratamento.

Na Sífilis secundária, os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses do aparecimento e cicatrização da ferida inicial. Nesse estágio:

  • Podem surgir manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés, e que também são ricas em bactérias;
  • Pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça, ínguas pelo corpo.

As manchas desse estágio desaparecem em algumas semanas, independentemente de tratamento, trazendo a falsa impressão de cura. Depois, tem a fase latente, que é assintomática, ou seja, não aparecem sinais ou sintomas. Ela é dividida em latente recente, que é quando se tem até um ano de infecção e latente tardia, que é quando se tem mais de um ano de infecção. A duração dessa fase é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.

A Sífilis terciária pode surgir entre 1 e 40 anos após o início da infecção. Costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico é feito após a realização do teste rápido (TR) de sífilis, que está disponível nos serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo prático e de fácil execução, com leitura do resultado em, no máximo, 30 minutos, sem a necessidade de estrutura laboratorial. Nos casos de TR positivos, uma amostra de sangue deverá ser coletada e encaminhada para realização de um teste laboratorial para confirmação do diagnóstico.

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Porém, em alguns casos específicos é recomendado o início do tratamento com apenas um teste positivo, de reagente, sem precisar aguardar o resultado do segundo teste. Os casos são para gestantes, vítimas de violência sexual, pessoas com sintomas de sífilis primária ou secundária, pessoas sem diagnóstico prévio de sífilis e pessoas com grande chance de não retornar ao serviço de saúde para verificar o resultado do segundo teste.

Já o tratamento da sífilis é realizado com a penicilina benzatina, antibiótico que está disponível nos serviços de saúde do SUS. A dose depende do estágio clínico da sífilis, porém outros antibióticos devem ser avaliados para casos específicos de acordo com a avaliação do profissional de saúde.

Após o tratamento completo, é importante continuar o seguimento com coleta de testes não treponêmicos para ter certeza da cura. Além de que todas as parcerias sexuais dos últimos 3 meses devem ser testadas e tratadas para quebrar a cadeia de transmissão. Nos casos de gestantes, o tratamento deve ser começar o mais rápido possível, com a penicilina benzatina, que é o único medicamento capaz de prevenir a transmissão vertical.

Lembrando que não existe imunidade permanente contra a sífilis, ou seja, mesmo após o tratamento adequado, cada vez que entrar em contato com o agente etiológico a pessoa pode ter a doença novamente.

Hepatites virais

E a campanha traz resultados realmente efetivos: de acordo com o Ministério da Saúde, os índices nacionais do aleitamento materno exclusivo entre crianças menores de 6 meses aumentaram de 2,9%, em 1986, para 45,7% em 2020.o aleitamento para crianças menores de quatro anos passou de 4,7% para 60% no mesmo período.

O Ministério da Saúde diz que as hepatites virais são tipos de infecções que atingem o fígado, causando alterações leves, moderadas ou graves. Na maioria das vezes são infecções silenciosas, ou seja, não apresentam sintomas. Entretanto, quando presentes, elas podem se manifestar como: cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

As infecções causadas pelos vírus das hepatites B ou C frequentemente se tornam crônicas, podendo comprometer o fígado, sendo causa de fibrose avançada ou de cirrose, que podem levar ao desenvolvimento de câncer e à necessidade de transplante do órgão.

O impacto das infecções causadas pelas hepatites virais acarreta aproximadamente 1,4 milhões de mortes anualmente no mundo, seja por infecção aguda, câncer hepático ou cirrose associada às hepatites. A taxa de mortalidade da hepatite C, por exemplo, pode ser comparada às do HIV e da tuberculose.

As hepatites B, C e D são as hepatites virais que podem ser transmitidas sexualmente.

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Hepatite B

A hepatite viral B é uma doença infecciosa que agride o fígado, sendo causada pelo vírus B da hepatite (HBV). O HBV está presente no sangue e secreções, e a hepatite B é também classificada como uma infecção sexualmente transmissível.

Em adultos, cerca de 20% a 30% das pessoas adultas infectadas cronicamente pelo vírus B da hepatite desenvolvem cirrose e/ou câncer de fígado.

Segundo o Ministério da Saúde, o HBV pode sobreviver por períodos prolongados fora do corpo e tem maior potencial de infecção que os vírus da hepatite C (HCV) e da imunodeficiência humana (HIV), em indivíduos suscetíveis.

As principais formas de transmissão são:

  • Relações sexuais sem preservativo com uma pessoa infectada;
  • Da mãe infectada para o filho, durante a gestação e o parto;
  • Compartilhamento de material para uso de drogas (seringas, agulhas, cachimbos);
  • Compartilhamento de materiais de higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam);
  • Na confecção de tatuagem e colocação de piercings, procedimentos odontológicos ou cirúrgicos que não atendam às normas de biossegurança;
  • Por contato próximo de pessoa a pessoa (presumivelmente por cortes, feridas e soluções de continuidade);
  • Transfusão de sangue (mais relacionada ao período anterior a 1993).

A infecção, normalmente, tem uma evolução silenciosa, geralmente com diagnóstico após décadas da infecção. Os sinais e sintomas, quando presentes, são comuns às demais doenças crônicas do fígado e costumam manifestar-se apenas em fases mais avançadas da doença, na forma de cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre e dor abdominal. A ocorrência de pele e olhos amarelados é observada em menos de um terço dos pacientes com hepatite B.

O diagnóstico é feito quando há a presença do HBsAg na amostra de sangue do paciente e pode ser detectada por meio de testes rápidos distribuídos pelo Ministério da Saúde na rede pública.

Após o resultado positivo e confirmação, o tratamento será realizado com antivirais específicos, disponibilizados no SUS, de acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite B e Coinfecções (PCDT Hepatite B). Além do uso de medicamentos, quando necessários, é importante que se evite o consumo de bebidas alcoólicas. Os tratamentos disponíveis atualmente não curam a infecção pelo vírus da hepatite B, mas podem retardar a progressão da cirrose, reduzir a incidência de câncer de fígado e melhorar a sobrevida em longo prazo.

Para se prevenir, a principal medida é a vacinação contra a hepatite B, que está prevista no calendário de vacinação infantil, mas que também está disponível gratuitamente pelo SUS para todas as pessoas, independentemente da idade.

Além da vacina, outros cuidados ajudam na prevenção da infecção pelo HBV, como usar preservativo em todas as relações sexuais e não compartilhar objetos de uso pessoal, como lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, material de manicure e pedicure, equipamentos para uso de drogas, confecção de tatuagem e colocação de piercings.

Hepatite C

A Hepatite C é um processo infeccioso e inflamatório, causado pelo vírus C da hepatite (HCV), que pode se manifestar na forma aguda ou crônica, sendo esta segunda a forma mais comum e considerada uma epidemia mundial. De acordo com o Ministério da Saúde, um modelo matemático desenvolvido em 2016 estimava que cerca de 657 mil brasileiros tinham infecção ativa pelo HCV e, portanto, indicação de tratamento. Entre os anos de 1999 a 2018, foram notificados 359.673 casos de hepatite C no Brasil. A maior parte dos indivíduos infectados pelo HCV desconhece seu diagnóstico.

A hepatite crônica pelo HCV é uma doença de caráter silencioso, que evolui sorrateiramente e se caracteriza por um processo inflamatório persistente no fígado. Aproximadamente 60% a 85% dos casos se tornam crônicos e, em média, 20% evoluem para cirrose ao longo do tempo.

A transmissão pode acontecer por:

  • Contato com sangue contaminado, pelo compartilhamento de agulhas, seringas e outros objetos para uso de drogas (cachimbos);
  • Reutilização ou falha de esterilização de equipamentos médicos ou odontológicos;
  • Falha de esterilização de equipamentos de manicure;
  • Reutilização de material para realização de tatuagem;
  • Procedimentos invasivos (ex.: hemodiálise, cirurgias, transfusão) sem os devidos cuidados de biossegurança;
  • Uso de sangue e seus derivados contaminados; Relações sexuais sem o uso de preservativos (menos comum);
  • Transmissão da mãe para o filho durante a gestação ou parto (menos comum).

Lembrando que a hepatite C não é transmitida pelo leite materno, comida, água ou contato casual, como abraçar, beijar e compartilhar alimentos ou bebidas com uma pessoa infectada.

Entretanto, é muito raro que as pessoas tenham sintomas: cerca de 80% delas não apresentam qualquer manifestação. Assim, no geral, a hepatite C é descoberta em sua fase crônica. Normalmente, o diagnóstico ocorre após teste rápido de rotina ou por doação de sangue. Esse fato reitera a importância da realização dos testes rápidos ou sorológicos, que apontam a presença dos anticorpos anti-HCV. Se o teste de anti-HCV for positivo, é necessário realizar um exame de carga viral (HCV-RNA) para confirmar a infecção ativa pelo vírus. Se for confirmada a infecção, o paciente poderá ser encaminhado para o tratamento, oferecido gratuitamente pelo SUS, com medicamentos capazes de curar a infecção e impedir a progressão da doença.

Como não existe vacina contra a hepatite C, para se prevenir é importante:

  • Não compartilhar com outras pessoas qualquer objeto que possa ter entrado em contato com sangue (seringas, agulhas, alicates, escova de dente etc.);
  • Usar preservativo nas relações sexuais;
  • Não compartilhar quaisquer objetos utilizados para o uso de drogas;
  • Toda mulher grávida precisa fazer, no pré-natal, os exames para detectar as hepatites B e C, o HIV e a sífilis. Em caso de resultado positivo, é necessário seguir todas as recomendações médicas. O tratamento da hepatite C não está indicado para gestantes, mas após o parto a mulher deverá ser tratada.

Hepatite D

A Hepatite D é, segundo o Ministério da Saúde, uma infecção causada pelo vírus D da hepatite (HDV). Ela está associada com a presença do vírus B da hepatite (HBV) para causar a infecção e inflamação das células do fígado. Existem duas formas de infecção pelo HDV: coinfecção simultânea com o HBV e superinfecção pelo HDV em um indivíduo com infecção crônica pelo HBV.

A hepatite D crônica é considerada a forma mais grave de hepatite viral crônica, com progressão mais rápida para cirrose e um risco aumentado para descompensação, carcinoma hepatocelular (CHC) e morte.

As formas de transmissão são idênticas às da hepatite B e, assim como as outras hepatites, a pessoa pode não apresentar sinais ou sintomas da doença. Quando se tem sintomas, os mais comuns são: cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

Com o diagnóstico de hepatite D, o médico pode indicar o tratamento de acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite B e Coinfecções (PCDT Hepatite B). Porém, os medicamentos não causam a cura da hepatite D, e têm como objetivo controlar o dano hepático. Além dos medicamentos, orienta-se que a pessoa que esteja realizando o tratamento não consuma bebidas alcoólicas.

A imunização para hepatite B é a principal forma de prevenção da hepatite D, além de outras medidas como:

  • Uso de preservativo em todas as relações sexuais;
  • Não compartilhamento de objetos de uso pessoal – como lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, material de manicure e pedicure, equipamentos para uso de drogas, confecção de tatuagem e colocação de piercings.

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