Dezembro Vermelho: as principais informações sobre o vírus HPV

Como o mês de dezembro é marcado como o mês de prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), por conta do Dia Internacional de Luta contra a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), transmitida pelo HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana), que acontece dia 1º de dezembro, vamos falar no #BlogHBit durante todo o mês sobre as ISTs.

Já falamos sobre o vírus HIV e a AIDS e, nesta semana, no #BlogHBit vamos falar sobre o Papiloma Vírus Humano (HPV). De acordo com o Ministério da Saúde, o HPV é um vírus que infecta a pele ou mucosas das pessoas, provocando verrugas anogenitais (na região genital e ânus) e câncer, dependendo do tipo de vírus. Segundo dados do Boletim Epidemiológico, de maio de 2021, 99% dos casos de câncer de colo do útero são causados pelo HPV.

O mesmo Boletim apresenta dados globais de que 1 em cada 10 pessoas está infectada por algum dos genótipos de HPV e cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas provavelmente serão infectadas pelo vírus em algum momento da vida. Além disso, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa de novos casos de câncer de colo do útero, em 2020, foi de 16.710 e o número de mortes foi 6.596, em 2019, segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer - SIM.

Transmissão do vírus

De acordo com o Ministério da Saúde, a transmissão do HPV se dá por contato direto com a pele ou mucosa infectada. E a principal forma de transmissão é pela via sexual, que inclui contato oral-genital, genital-genital ou mesmo manual-genital. Desta forma, a transmissão pode acontecer mesmo sem ter acontecido a penetração anal ou vaginal.

A transmissão também pode acontecer durante o parto e é importante lembrar que, assim como o vírus HIV, mesmo sem apresentar sintomas e saber do vírus, as pessoas ainda podem transmiti-lo.

Sintomas e sinais

Segundo o Ministério da Saúde, a infecção pelo HPV não apresenta sintomas na maioria das pessoas e, em alguns casos, o HPV pode ficar latente de meses a anos, sem manifestar sinais, que vão visíveis a olho nu, ou apresentar manifestações subclínicas, que não visíveis a olho nu.

Entretanto, a diminuição da resistência do organismo pode desencadear a multiplicação do vírus e, consequentemente, provocar o aparecimento de lesões.

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As primeiras manifestações da infecção pelo HPV surgem, aproximadamente, entre dois e oito meses, mas pode demorar até 20 anos para aparecer algum sinal da infecção. E essas manifestações normalmente são mais comuns em gestantes e em pessoas com imunidade baixa. Elas podem ser:

  • Lesões clínicas: que aparecem como verrugas na região genital e no ânus, chamadas tecnicamente de condilomas acuminados e popularmente conhecidas como "crista de galo", "figueira" ou "cavalo de crista". Podem ser únicas ou múltiplas, de tamanho variável, achatadas ou papulosas (elevadas e sólidas). Em geral, são assintomáticas, mas pode haver coceira no local e, normalmente, são causadas por tipos de HPV não cancerígenos.
  • Lesões subclínicas: não são visíveis a olho nu e podem ser encontradas nos mesmos locais das lesões clínicas e não apresentam sinais/sintomas. As lesões subclínicas podem ser causadas por tipos de HPV de baixo e de alto risco para o desenvolvimento de câncer. Podem acometer vulva, vagina, colo do útero, região perianal, ânus, pênis (geralmente na glande), bolsa escrotal e/ou região pubiana. Também, mas de forma menos frequente, podem estar presentes em áreas extragenitais, como conjuntivas e mucosas nasal, oral e laríngea. Mais raramente, crianças que foram infectadas no momento do parto podem desenvolver lesões verrucosas nas cordas vocais e laringe (Papilomatose Respiratória Recorrente).

Formas de prevenção

Vacinação

De acordo com o Ministério da Saúde, a forma mais eficaz de prevenção contra o vírus HPV é a vacinação. A imunizante é distribuída gratuitamente pelo SUS e é indicada para:

  • Meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos;
  • Homens que vivem com HIV, transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 26 anos;
  • Mulheres que vivem com HIV, transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 45 anos.

É importante lembrar que a vacina não é um tratamento e não protege contra infecções e lesões já existentes causadas pelo HPV. Além disso, ela não previne infecções de todos os tipos do vírus, mas previne as mais frequentes: 6, 11, 16 e 18.

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Preservativo

Uma outra forma importante e eficaz de prevenção contra o vírus HPV é o uso de preservativo nas relações sexuais, segundo o o Ministério da Saúde.

O uso dela também previne outras ISTs, mas o preservativo masculino não impede totalmente a infecção pelo HPV, pois muitas vezes as lesões estão presentes em áreas não protegidas pela camisinha, como a vulva, região pubiana, períneo ou bolsa escrotal. A camisinha feminina, que cobre também a vulva, é mais eficaz para evitar a infecção, se utilizada desde o início da relação sexual.

Exame preventivo do câncer de colo do útero

Como o câncer do colo do útero é causado principalmente pela infecção persistente por alguns tipos de HPV, o exame preventivo, também chamado de colpocitologia oncótica cervical ou Papanicolau, é o exame ginecológico preventivo mais comum para identificar lesões precursoras de câncer do colo do útero.

O exame auxilia na detecção de células anormais no revestimento do colo do útero, que podem ser tratadas antes de se tornarem câncer.

De acordo com o Ministério da Saúde, mesmo o exame não sendo capaz de diagnosticar a presença do HPV, é considerado o melhor método para detectar o câncer do colo do útero e suas lesões precursoras. Quando as alterações que antecedem o câncer são identificadas e tratadas, é possível prevenir 100% dos casos. Por isso, é muito importante que as mulheres façam o exame de Papanicolau regularmente, mesmo que estejam vacinadas contra HPV.

Exame preventivo do câncer de colo do útero

Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico do HPV é realizado por meio de exames clínicos e laboratoriais, dependendo do tipo das lesões.

Para lesões clínicas, o diagnóstico pode acontecer por meio do exame clínico urológico (pênis), ginecológico (vulva/vagina/colo uterino), anal (ânus e região perianal) e dermatológico (pele).

Para as lesões subclínicas, o diagnóstico pode ser feito por exames laboratoriais, como o exame preventivo Papanicolau (citopatologia), colposcopia, peniscopia e anuscopia, e também por meio de biópsias e histopatologia, a fim de distinguir as lesões benignas das malignas.

Tratamento

De acordo com o Ministério da Saúde, o tratamento feito pela infecção do vírus do HPV é o tratamento das verrugas anogenitais (região genital e ânus), sendo feita a destruição das lesões. E as lesões, independentemente da realização do tratamento, podem desaparecer, permanecer inalteradas ou aumentar em número e/ou volume.

O tratamento deve ser individualizado, considerando características das lesões, disponibilidade de recursos e efeitos adversos. Os tratamentos podem ser químicos, cirúrgicos e estimuladores da imunidade, além de poderem ser domiciliares, ou seja, autoaplicados, ou ambulatoriais, realizados nos serviços de saúde.

É importante ressaltar que o tratamento das verrugas anogenitais não elimina o vírus e, por isso, as lesões podem reaparecer. Caso isso aconteça, as pessoas infectadas devem retornar ao serviço de saúde. Além do tratamento de lesões visíveis, é necessário que os profissionais de saúde realizem exame clínico anogenital completo, pois pode haver lesões dentro de vagina e ânus não identificadas pela própria pessoa afetada.

Faça sempre os exames preventivos e cuide da sua saúde. Fique ligado no #BlogHBit para saber mais sobre outras ISTs e problemas de saúde.