Dezembro Vermelho: saiba mais sobre HIV/AIDS

O mês de dezembro é marcado como o mês de prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), pois no primeiro dia de dezembro é celebrado o Dia Internacional de Luta contra a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), transmitida pelo HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana).

O objetivo da campanha é sensibilizar a população sobre a prevenção e o tratamento precoce contra a Sífilis, HIV e AIDS, Papiloma Vírus Humano (HPV), Herpes Digital e Hepatite B, C e D.

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), de 2019, mostrou que aproximadamente 1 milhão de pessoas afirmaram ter diagnóstico médico de IST ao longo do ano, o que corresponde a 0,6% da população com 18 anos de idade ou mais. Além disso, entre os indivíduos com 18 anos ou mais de idade que participaram do estudo e tiveram relação sexual nos 12 meses anteriores à data da entrevista, apenas 22,8% usaram preservativo em todas as relações sexuais. A maioria, 59,0%, afirmou não ter utilizado em nenhuma relação.

Esse dado é importante porque o uso de camisinha é a principal forma de prevenção de todas as ISTs. Isso porque essas doenças são causadas por vírus, bactérias ou outros microorganismos e são transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual (oral, vaginal ou anal) sem o uso de preservativos masculinos ou femininos com uma pessoa que tenha contraído o vírus.

Por conta disso, decidimos aprofundar e falar um pouco de cada IST no #BlogHBit. Nesta semana, vamos começar falando sobre o vírus HIV e a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).

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HIV/AIDS

De acordo com a UNAIDS, HIV é uma sigla para vírus da imunodeficiência humana. Esse vírus pode levar à síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) e, ao contrário de outros vírus, o corpo humano não consegue se livrar do HIV. Ou seja, quando a pessoa contrai o vírus HIV, ele permanecerá para sempre no seu corpo. Porém, é possível diminuir sua carga viral por meio do tratamento antirretroviral, o que faz com que o vírus não seja detectado e, consequentemente, não seja transmitido.

Ainda segundo a UNAIDS, o HIV é um vírus que se espalha através de fluídos corporais e afeta células específicas do sistema imunológico, conhecidas como células CD4, ou células T.

A AIDS é a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, que é causada pelo vírus da HIV mas nem todas as pessoas que contraem o vírus desenvolvem a AIDS. Ela acontece quando, sem o tratamento antirretroviral, o HIV afeta e destrói essas células específicas do sistema imunológico e torna o organismo incapaz de lutar contra infecções e doenças.

Assim, a AIDS é a manifestação sintomática do Vírus do HIV e só aparece quando ele não é controlado. O vírus, quando causa a síndrome, provoca uma queda no sistema imunológico, que fica vulnerável a diversas doenças, como pneumonia e tuberculose.

Alguns dados que mostram os números de HIV/AIDS são:

  • Em 2020, 37,6 milhões de pessoas estavam vivendo com HIV no mundo;
  • Cerca de 6 milhões de pessoas não sabiam que estavam vivendo com HIV, em 2020;
  • Em 2020, 73% de todas as pessoas vivendo com HIV tinham acesso ao tratamento;
  • No Brasil, em 2020, foram notificados 32.701 casos de infecção pelo HIV no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

Além disso, segundo a UNAIDS, as novas infecções pelo HIV foram reduzidas em 52% desde o pico em 1997, sendo que, em 2020, cerca de 1,5 milhão de pessoas contraíram, recentemente, o HIV, em comparação com 3 milhões de pessoas em 1997.

As mortes relacionadas à AIDS também foram reduzidas em 64% desde o pico em 2004 e em 47% desde 2010. Em 2020, cerca de 680 mil pessoas morreram de doenças relacionadas à AIDS em todo o mundo, em comparação com 1,9 milhão de pessoas em 2004 e 1,3 milhão de pessoas em 2010.

É sempre importante lembrar que qualquer pessoa pode contrair o vírus HIV independentemente de sua idade, estado civil, classe social, identidade de gênero, sexualidade, credo ou religião.

Quais são os estágios do HIV?

De acordo com a UNAIDS, o HIV possui uma progressão bem documentada e o tratamento para o vírus ajuda em todos os estágios da doença, podendo desacelerar ou prevenir a progressão de um estágio para o outro.

Infecção aguda

Esse estágio acontece entre 2 e 4 semanas depois da infecção pelo HIV. Nele, a pessoa pode se sentir doente, com sintomas similares aos da gripe. Essa fase é denominada síndrome retroviral aguda (ARS) ou infecção HIV primária, e é a resposta natural do corpo à infecção por HIV.

Entretanto, nem todos os indivíduos desenvolvem ARS e algumas pessoas podem não apresentar os sintomas.

Nesse período, grandes porções do HIV estão sendo produzidas no seu corpo. O vírus faz uso de importantes células do sistema imunológico, conhecidas como células CD4, para fazer cópias de si mesmo e acaba destruindo essas células no processo. Por esse motivo, a quantidade de células CD4 pode diminuir rapidamente.

A possibilidade de transmissão é maior durante esse processo porque a quantidade de vírus no sistema é muito alta. Eventualmente, sua resposta imune começará a trazer a quantidade de vírus no seu corpo de volta para um nível estável. Assim, a contagem de células CD4 começará a crescer, mas não voltará, necessariamente, aos níveis normais anteriores à infecção.

Fase Assintomática - Latência Clínica (inatividade ou dormência)

Este estágio é comumente chamado de infecção HIV assintomática ou infecção HIV crônica. Nele, o HIV ainda está ativo, mas reproduz em níveis muito baixos. Você pode não apresentar nenhum dos sintomas, nem ficar doente durante esse tempo.

Essa fase pode durar uma década, mesmo sem o tratamento. Já pessoas que começam o tratamento podem viver sob a latência clínica por várias décadas.

Entre o meio e o fim desse período, sua carga viral começa a crescer e a contagem de células CD4 começa a diminuir. Nisso, a pessoa pode começar a apresentar sintomas do HIV uma vez que seu sistema imunológico se torna fraco demais para te proteger.

AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida)

Neste estágio, o sistema imunológico está seriamente danificado e a pessoa se torna vulnerável a infecções e cânceres, as chamadas doenças oportunistas.

É considerado que ocorreu a progressão para AIDS quando o número de suas células CD4 cai abaixo de 200 células por milímetro cúbico de sangue, sendo que a contagem normal de CD4 fica entre 500 e 1.600 células/mm3.

Também é possível ser diagnosticado com AIDS quando se desenvolve uma ou mais doenças oportunistas, independentemente de sua contagem de CD4.

Quando as pessoas diagnosticadas não realizam o tratamento, elas sobrevivem, normalmente, cerca de 3 anos. Uma vez com uma doença oportunista perigosa, a expectativa de vida sem tratamento cai para cerca de 1 ano. Pessoas com AIDS precisam de tratamento médico para evitar a morte.

Transmissão do vírus HIV

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As formas de transmissão, de acordo com o Ministério da Saúde são:

  • Sexo vaginal sem camisinha;
  • Sexo anal sem camisinha;
  • Sexo oral sem camisinha;
  • Uso de seringa por mais de uma pessoa;
  • Transfusão de sangue contaminado;
  • Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação;
  • Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.

Como ela é uma doença com um enorme estigma, é sempre preciso relembrar que ela não é transmitida por meio dessas formas:

  • Sexo desde que se use corretamente a camisinha;
  • Masturbação a dois;
  • Beijo no rosto ou na boca;
  • Suor e lágrima;
  • Picada de inseto;
  • Aperto de mão ou abraço;
  • Uso compartilhado de sabonete, toalha, lençóis, talheres e copos;
  • Usar o mesmo assento de ônibus, piscina, banheiro;
  • Doação de sangue;
  • Pelo ar.

Como saber se contraí o vírus HIV?

Por mais que algumas pessoas que estão infectadas com o HIV relatam ter sintomas semelhantes aos da gripe, como febre, aumento dos gânglios linfáticos, garganta inflamada e erupção cutânea/assadura, de 2 a 4 semanas após a exposição, muitas pessoas que contraíram o vírus HIV não têm nenhum sintoma durante 10 anos ou mais.

E, durante essas semanas, a infecção pelo HIV pode não aparecer em um teste de HIV, mas as pessoas que o têm são altamente contagiosas e podem espalhar a infecção para outras pessoas. No entanto, você não deve supor que tem HIV apenas se tiver algum destes sintomas. Cada um destes sintomas pode ser causado por outras doenças.

Por isso, caso você tenha passado por alguma situação de risco de transmissão, é fundamental procurar uma unidade pública de saúde para fazer o teste anti-HIV.

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Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico da infecção pelo HIV é feito a partir da coleta de sangue ou por fluido oral. No Brasil, existem os exames laboratoriais e os testes rápidos, que detectam os anticorpos contra o HIV em cerca de 30 minutos.

Esses testes são realizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nas unidades da rede pública e nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). Além dos exames, os centros oferecem um processo de aconselhamento, para facilitar a correta interpretação do resultado pelo(a) usuário(a). Também é possível saber onde fazer o teste pelo Disque Saúde (136).

O Ministério da Saúde também afirma que, em todos os casos, a infecção pelo HIV pode ser detectada em, pelo menos, 30 dias a contar da situação de risco. Isso porque os exames, tanto o laboratorial quanto o teste rápido, buscam por anticorpos contra o HIV no material coletado. Esse período é chamado de janela imunológica.

Como funciona o tratamento

Desde 1980, existem os medicamentos antirretrovirais (ARV), que agem inibindo a multiplicação do HIV no organismo e, consequentemente, evitam o enfraquecimento do sistema imunológico.

De acordo com o Ministério da Saúde, o desenvolvimento e a evolução dos antirretrovirais para tratar o HIV transformaram o que antes era uma infecção quase sempre fatal em uma condição crônica controlável, apesar de ainda não haver cura.

E por conta disso, o uso regular dos ARV é fundamental para garantir o controle da carga viral dentro do corpo e prevenir a evolução para a AIDS.

Além de melhorar a qualidade de vida da pessoa que contraiu o vírus, o tratamento também provoca uma redução de vírus circulante, ou seja, se as pessoas que contraíram o HIV estão com carga viral suprimida/indetectável, o que significa uma baixa quantidade de vírus devido ao tratamento, elas não irão transmitir o vírus. Atualmente, o Ministério da Saúde entende que indetectável é igual intransmissível e, dessa forma, o tratamento também é uma forma de prevenção.

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Isso também possibilita que pessoas que contraíram o vírus possam ter filhos e amamentar sem transmitir o vírus ao bebê.

Além disso, no dia 29 de novembro de 2021, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo tratamento para o HIV que reúne duas substâncias em único comprimido.

Em nota, a Agência disse que "A aprovação representa um avanço no tratamento das pessoas portadoras do vírus que causa a Aids, já que reúne em uma dose diária dois antirretrovirais que não estavam disponíveis em um só comprimido. A possibilidade de doses únicas simplifica o tratamento e a adesão dos pacientes".

Lembrando que no Brasil ocorre a distribuição gratuita de todos os antirretrovirais desde de 1996 e, desde 2013, o Sistema Único de Saúde (SUS) garante o tratamento para todas as pessoas vivendo com HIV, independentemente da carga viral. Segundo o Ministério da Saúde, até o momento, existem 19 medicamentos disponíveis em 34 apresentações farmacêuticas.

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