Reações das vacinas contra Covid-19: por que acontecem e quais são?

As vacinas podem causar algumas reações adversas depois de serem aplicadas. E as contra a Covid-19 não são diferentes. Porém, as reações dessas últimas chamaram bastante a atenção.

A vacinação é uma das formas mais importantes para a proteção de diversas doenças, inclusive daquelas que podem levar à morte, como a Covid-19.

De acordo com estimativas de pesquisadores da Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacinação em massa evita de 2 a 3 milhões de mortes anualmente e gera uma economia equivalente a R$250 milhões por dia.

Além disso, uma pesquisa liderada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em parceria com a Universidade Harvard, de Massachusetts (EUA), aponta que, em 90 dias, as vacinas contra Covid-19 salvaram a vida de 43 mil idosos com mais de 70 anos no Brasil.

Porém, desde 2017, os níveis de vacinação de diversas imunizantes está muito abaixo de outros anos anteriores. O Ministério da Saúde acredita que isso tenha acontecido por cinco razões, entre elas o medo de que as vacinas causem reações prejudiciais ao organismo.

Esse mesmo medo reflete nas taxas de vacinação contra a Covid-19: o Ministério da Saúde divulgou que, em abril de 2021, 1,5 milhão de brasileiros não haviam tomado a segunda dose no prazo estabelecido pelos laboratórios. De acordo com matéria publicada pelo portal CNN Brasil, especialistas apontam que um dos motivos para este abandono também é o medo de reações adversas.

As reações sempre foram comuns em diversas imunizantes, como a antitetânica e a da gripe, por exemplo, e no #BlogHBit desta semana vamos falar sobre as reações da vacina contra a Covid-19, quais são e porque acontecem.

Por que as vacinas podem causar reações?

Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações, para proteger nossa saúde contra uma doença específica, as vacinas precisam estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos, que são agentes de defesa do organismo que agem contra os micro-organismos que causam as doenças.

Normalmente, os imunizantes possuem uma “parte” inativada ou morta do micro-organismo de alguma doença. Porém, é uma quantidade que não é capaz de causar a doença em si, ao mesmo tempo que é a porção necessária para seu corpo reconhecer aquela doença e que precisa se defender.

Assim, quando a vacina, com essa parte bem enfraquecida do agente causador da infecção, é inserida no organismo, as defesas do nosso corpo, ou seja, nosso sistema imunológico, criam anticorpos para combater a doença e desenvolvem uma memória imunológica.

Esse é o tipo de imunidade que é chamada de “adaptativa” ou “adquirida”. Porque se, no futuro, o corpo voltar a ser atacado pelos mesmos agentes, desta vez mais fortes e que realmente podem causar a infecção, o corpo já sabe quais tipos de anticorpos criar e como se defender para não ser infectado e desenvolver a doença.

Então, quando a vacina causa reações significa que o seu corpo está agindo e criando resposta imune contra a doença da qual a imunizante te protege.

Médicos também afirmam que não há necessidade de se preocupar de ter sido infectado pela doença, já que a quantidade do agente causador do vírus está inativada ou muito enfraquecida na vacina. Além disso, não apresentar nenhuma reação não significa que a imunização não funcionou. É importante lembrar que cada corpo reage de maneira diferente à imunização.

Quais as principais reações adversas das vacinas contra a Covid-19?

Cada vacina contra a Covid-19 apresenta algumas reações adversas. As mais comuns entre todas as imunizantes são:

  • Dor e sensibilidade no local da aplicação;
  • Dores no corpo;
  • Cansaço;
  • Dor de cabeça;
  • Enjoos;
  • Náuseas;
  • Mal estar;
  • Febre.
  • Esses efeitos são considerados muito comuns e podem afetar mais de 1 a cada 10 pessoas. A gerente-geral de Monitoramento de Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Suzie Gomes, disse em entrevista ao BBC News Brasil, que 95% das reações relatadas são leves a moderadas, como as descritas acima que, também, podem ser semelhantes às reações de outras vacinas.

    Caso seja necessária uma medicação para combater essas reações, ela pode ser feita por meio de orientação médica.

    Porém, é importante ter alguns cuidados como evitar fazer esforços com o braço onde foi aplicada a vacina ou dormir em cima dele, além de manter um descanso durante o dia, uma boa hidratação e alimentação. Essas cautelas auxiliam para que não seja necessário o uso de medicamentos.

    Por fim, preste atenção caso essas reações aconteçam ou continuem 3 dias depois de ocorrer a vacinação. Suzie Gomes, da Anvisa, recomenda que se no quinto, sexto ou sétimo dia após a imunização, continuar sentindo alguma reação, independente da gravidade, mesmo sendo leve, é importante procurar a unidade de saúde para fazer um bom diagnóstico, identificar e tratar. A necessidade de avaliar as reações é realmente identificar se esses sintomas podem ou não ter relação com a vacina.

    E podem ocorrer reações graves?

    Casos, que foram muito raros, de coágulos sanguíneos associados à trombocitopenia em pessoas imunizadas na Europa fizeram com que alguns países, como a Alemanha, restringissem a aplicação da vacina da Astrazeneca/Oxford para menores de 60 anos.

    Nos Estados Unidos, houve a interrupção da administração da vacina Johnson & Johnson/Janssen (J&J) depois que seis mulheres vacinadas apresentaram um tipo raro de coágulo sanguíneo aliado a baixo nível de plaquetas. Entretanto, o comitê que aconselha o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês) orientou que a vacina voltasse a ser administrada, mas com o alerta sobre o risco raro.

    No Brasil, a Anvisa recomendou a suspensão da aplicação da vacina da AstraZeneca/Fiocruz em grávidas, após monitorarem eventos adversos.

    Esses casos preocuparam muitas pessoas, porém a bula da vacina da AstraZeneca/Fiocruz informa que esses coágulos foram observados com uma frequência inferior a 1 em 100 mil indivíduos vacinados, o que classifica esse evento como muito raro.

    E, mesmo assim, de acordo com matéria da BBC News Brasil, considerando todos os casos registrados até agora, o risco de desenvolver esses coágulos após a vacina é muito inferior ao de desenvolver trombose depois de se contrair a Covid-19, tomar pílula anticoncepcional ou fumar.

    Segundo especialistas, ainda não há provas de que a vacina poderia ter causado esses eventos de trombocitopenia. E a recomendação é procurar atendimento médico urgente se alguns dias após a vacinação a pessoa:

  • Sentir dor de cabeça grave ou persistente, visão turva, confusão ou convulsões;
  • Desenvolver falta de ar, dor no peito, inchaço nas pernas, dor nas pernas ou dor abdominal persistente;
  • Notar hematomas incomuns na pele ou identificar pontos redondos além do local da vacinação.
  • Mesmo com medo das reações é importante se vacinar. Suzie Gomes, em entrevista à BBC News Brasil, disse que “ainda que uma pessoa sinta um pouco mais de dor de cabeça do que outra, são reações esperadas e o efeito da doença é infinitamente maior do que qualquer um desses eventos”.

    Lembre-se que todas as vacinas são seguras. Antes de poderem ser aplicadas, elas passam por diversas fases, como pesquisas de desenvolvimentos, testes e estudos clínicos, que envolvem humanos para analisar realmente a sua segurança.

    Aqui no Brasil, todas as vacinas que são aplicadas no país são avaliadas e aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão do Ministério da Saúde (MS).

    Procure fontes confiáveis de dados sobre as vacinas e não deixe de se vacinar quando chegar sua vez!